As concessionárias de energia podem cobrar dos consumidores atendidos em média e alta tensão (conhecidos como Grupo A), pela energia reativa que estes produzem.

Para entendermos isto, precisamos saber a diferença entre energia ativa e energia reativa. Essas duas componentes são essenciais para o funcionamento de diversos equipamentos industriais, como motores, transformadores e fornos elétricos.

A energia ativa é a energia que executa trabalho, por exemplo, faz com que exista a rotação em um motor. Já a energia reativa não realiza trabalho, porem é consumida pelos equipamentos para que estes consigam formar os campos eletromagnéticos necessários para o seu funcionamento.

Justamente por esta energia não realizar trabalho, sua parcela deve ser restrita ao mínimo possível. Seu excesso significa maior corrente circulando pelos circuitos, implicando em condutores de maior seção e transformadores de maior capacidade (mal dimensionados), o que está associado a perdas por aquecimento e quedas de tensão.

De uma forma geral, o excesso de energia reativa aumenta a demanda de energia, além de gerar uma baixa qualidade do fornecimento.

Explicado isto, como as concessionárias conseguem medir o quanto de energia reativa, em comparação a energia ativa, estou consumindo?

Para isto é usado o Fator de Potência (FP). Este índice mede a eficiência das instalações através da relação entre a potência ativa e a potência reativa.

A ANEEL estabelece os valores limites para o FP através da RN 414/2010. Valores do índice próximos a 1 (um) indicam o uso eficiente da energia elétrica. O valor limite proposto para o FP é de 0,92 para consumidores abastecidos até 69 kV e 0,95 para tensões superiores. Ou seja, se as medições indicarem valores de Fator de potência foram desses limites, haverá cobrança pelo excesso de reativo.

Mas agora você deve estar se perguntando como o seu estabelecimento está gerando este excesso de energia reativa?
As principais causas costumam ser a grande quantidade de motores de baixa potência, motores ou transformadores trabalhando superdimensionados ou em vazio e o excesso de lâmpadas de descarga, conhecidas por necessitarem de reatores.

Saiba que:
O baixo FP não causa apenas problemas financeiros para o consumidor, ele está ligado a problemas em diversos setores do sistema elétrico:

  • – Redes de Transmissão e Distribuição: como há o aumento da corrente, há sobreaquecimento dos condutores e dos transformadores, induzindo a redução da capacidade de operação das linhas devido ao aumento das perdas.
  • – Geração: as unidades geradoras acabam produzindo mais energia por causa das perdas causadas pelo consumo de energia reativa.

E como resolver?
A correção do Fator de Potência já é algo que pode ser feito facilmente, através da instalação de bancos de capacitores.
Estes bancos funcionam como fonte de reativo, sendo instalados próximos aos locais onde há o consumo da energia reativa. Assim, a circulação de reativo fica restrita aos equipamentos que necessitam dela, gerando a redução das perdas, melhorando as condições operacionais e liberando capacidade das linhas e dos transformadores no resto do sistema.

DICA!
A instalação dos bancos de capacitores, não deve ocorrer de forma isolada. Aconselha-se que sejam reavaliadas as condições operacionais antes da instalação do banco. Reduzir a necessidade de reativos através do redimensionamento de motores e transformadores é essencial nesta etapa do processo.

FIQUE ATENTO:

  • Contrate profissionais especializados para instalar o seu banco de capacitores. Apesar desta ser a solução mais fácil para o uso eficiente da energia elétrica, ela deve ser feita por empresas capacitadas.
  • Não esqueça de realizar a revisão periódica do banco já instalado. Cuide para que este esteja sempre dimensionado para as suas necessidades.

DÚVIDAS, FIQUE A VONTADE PARA FALAR CONOSCO.